Amizades Coloridas

Autor: L.B. at ELLE

Amizades Coloridas

Há cada vez mais mulheres que preferem um "fuck-friend" a um namorado. Uma forma livre de viver a sexualidade ou pura incapacidade de amar?

Para Laura, uma luso-asiática de 31 anos, é quase higiénico. «Não tenho namorado mas preciso de ter relações de vez em quando! Com o Henrique, hão há ciúme, não há exigências. É só um amigo - com quem eu perco a cabeça, é certo! -, mas só um amigo.
Henrique é o seu "fuck-friend", cuja tradução suavizada poderá ser amigo colorido.
Encontram-se quando podem, jantam, falam sobre os problemas do dia-a-dia, dos amigos, do trabalho e no fim do serão ... vão para a cama juntos. Já há seis meses que mantêm esta relação, sem pensarem em nada de mais sério. Esta prática é cada vez mais comum, sobretudo entre as mulheres jovens das grandes cidades. Desta forma, elas conseguem ter uma vida sexual conciliável com uma intensa actividade social e profissional onde um verdadeiro namorado não teria lugar.
"É bem mais saudável do que dormir com um homem diferente todas as noites, certo?", questiona Alice, uma jovem acessora de imprensa de 25 anos, que tem um "fuck-friend" há uns meses. "Com ele, há química sexual mas nada de exigências ou compromissos." Em defesa da sua causa, relembra a mítica resposta de Miranda num episódio de Sexo e a Cidade: "Se não for um amigo a saltar-nos para cima, quem será?"
Livres e sem qualquer compromisso, estas mulheres reivindicam o prazer pelo prazer, sem se preocuparem com os sentimentos. Mas, na opinião de alguns psicólogos, os "fuck-friends" são, acima de tudo, um escudo contra o sofrimento inerente a uma relação séria. O compromisso conduz necessariamente ao conflito. Porque são duas personalidades em comunhão, mas também em choque. Com o passar do tempo, surgem, de ambas as partes, opiniões e desejos contraditórios. Eleger um "fuck-friend", pelo contrário é assinar uma espécie de contrato em que está claramente escrito: sim ao prazer; não aos juízos de valor. Um sistema prático, mas, sendo alguns psicólogos, revelador de um grande problema de auto-estima. É uma admissão de derrota. É desistir na casa da partida. É optar por uma relação fácil na qual o outro não tem o direito de julgar e onde não existe pressão para agradar. Serão, então, as adeptas do "fuck-friends" amazonas dos nossos tempos ou mulheres com incapacidade de amar? Alice, que confessa ter optado por ter um amigo colorido depois de uma enorme desilusão amorosa, pende mais para a segunda opção. «Não creio que tivesse um "fuck-friend" se não tivesse sofrido tanto com o meu namorado. Tenho medo de voltar a ter uma relação séria.»

Devemos alarmar-nos se a nossa vida sexual se resume a uma noite esporádica, passada nos braços de um homem que despachamos na manhã seguinte? Não, se for uma fase, um período intermédio em que nos recuperamos do passado e ganhamos força para passar à etapa seguinte, tranquilizam os psicólogos. Mas se, pelo contrário, acontece ao longo de anos e anos, é terrível! Não podemos ter sempre um travão nas nossas relações. O amor exige entrega.